Verbo

Verbo.
Palavra variável que traduz um fato. Elemento principal da oração, apresenta grande número de formas para expressar a pessoa, o tempo, o modo e a voz do discurso.

Verbo
Verbo
Elemento principal da oração, o verbo exprime processos, ações, estados ou fenômenos e, por meio da ampla variedade de formas em que se apresenta, indica em português a pessoa, o tempo, o modo e a voz do discurso. Assim, muitas informações significativas estão nele reunidas.
Verbo é toda palavra ou expressão que traduz um fato. A frase "As crianças amam o campo" enuncia um fato observado a respeito de "crianças" e de "campo". A palavra que descreve esse fato é "amam", forma conjugada do verbo amar. Quanto ao complemento na oração, os verbos são intransitivos, quando expressam uma idéia completa (andei), ou transitivos, quando exigem continuação (perdi o sapato, fui ao dentista). Quanto ao sujeito, os verbos podem ser tripessoais, unipessoais ou impessoais, segundo se empreguem nas três pessoas, apenas nas terceiras pessoas ou somente na terceira do singular. Latir é unipessoal, pois não se usa nem na primeira nem na segunda pessoa. Ventar é impessoal, uma vez que, sem sujeito, fica na terceira pessoa do singular.
Informações expressas pelo verbo. O sujeito da oração é sempre indicado pelo verbo, que aparece numa das três pessoas: a primeira, que fala; a segunda, com quem se fala; e a terceira, de quem se fala.
O verbo concorda com o sujeito em número, que pode ser singular ou plural. Pessoa e número têm desinências particulares. Assim, primeira pessoa: amei, amamos; segunda pessoa: amaste, amastes; terceira pessoa: amou, amaram.
Os verbos denotam ainda as circunstâncias temporais em que se realizam os fatos: presente (amo), passado (amei) e futuro (amarei). Quando se referem dois fatos não concomitantes -- passados, presentes ou futuros -- o verbo pode ainda exprimir anterioridade (tenho amado; tinha amado, ou amara; e terei amado) ou posterioridade (tenho de amar, tive de amar, terei de amar). Servem de exemplo as frases: "Quando ele me contou a história eu já a tinha adivinhado" e "Ele se casará em dezembro e logo depois terá de partir, em viagem de estudos".
Em português, os verbos apresentam-se em três modos (indicativo, subjuntivo e imperativo) e três formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). O uso dos modos é expressivo e dificilmente se podem estabelecer princípios gerais. É possível observar, entretanto, que o subjuntivo é próprio da afirmação insegura, dubitativa. O imperativo serve para a expressão direta da vontade afirmativa, desde a ordem até o desejo, mas se dispõe apenas da segunda pessoa; supre-se, nas suas lacunas, do presente do subjuntivo, como nos versos "Repousa lá no céu eternamente, / E viva eu cá na terra sempre triste" (Camões).
As formas nominais não permitem a expressão do tempo ou do modo, que devem ser inferidos pelo contexto da oração. O infinitivo pode apresentar emprego nominal e servir de substantivo ("Seu cantar ecoou ao longe"), adjetivo ("Porta de correr") ou advérbio ("Andou a correr"). O gerúndio descreve ação em curso e pode assumir função de advérbio ou adjetivo ("Vi o fogo ardendo"). O particípio, a um tempo verbo e adjetivo, está sujeito à concordância de gênero e número. Apresenta o resultado de uma ação: cansado, aberto.
Os verbos exprimem ainda aspecto, e no português isso é bastante complexo. Aspectos são as diferentes maneiras como se enfocam e expressam os fatos. Aspecto imperfeito é aquele em que não se pensa no início nem no término do fato: é o aspecto normal do verbo, desde que não esteja no pretérito perfeito ou no mais-que-perfeito. Aspecto perfeito é aquele que apresenta o fato como terminado e pode ser observado nos dois tempos mencionados acima e na conjugação de anterioridade. Aspecto iterativo é o que tem, na maioria das vezes, o presente do indicativo da conjugação que exprime anterioridade: tenho escrito quase sempre significa, simultaneamente, que escrevi e que ainda escrevo. Aspecto progressivo é o da chamada conjugação contínua, em que se aponta o fato no seu próprio desenvolvimento e processo: estou escrevendo. Aspecto incoativo é aquele que toma o verbo quando o fato é revelado no seu começo: entro a escrever, toco a escrever etc. Há, ainda, outros aspectos em que a língua sutiliza sua expressão.
Os verbos de predicação incompleta, que pedem objeto direto, admitem duas vozes: a voz ativa, que é a normal da conjugação simples ("O cão mordeu a criança"), e a voz passiva, pertencente à conjugação composta, cujo sujeito é o termo da oração que naturalmente seria seu objeto ("A criança foi mordida pelo cão"). Isso permite enfatizar a importância de um termo que ficaria em segundo plano, caso ocupasse a função de objeto, e não de sujeito. A conjugação pronominal reflexiva ("Mordeu-se") é definida por alguns autores como voz média.
Morfologia verbal. Como se não bastasse essa complexidade, o verbo tem, no português, uma morfologia (aspecto que diz respeito à estrutura e formação das palavras) muito rica. Tal riqueza é herdada do latim nas formas simples e extremamente desenvolvida nas formas compostas. Para o estudo da morfologia verbal, os antigos tinham imaginado a conjugação das formas simples em quadros engenhosamente organizados, a que chamaram paradigmas. No português, como no castelhano e no galego, as quatro conjugações paradigmáticas se reduziram a três: primeira, que tem como vogal de ligação um -a- (am-a-r, cant-a-r); segunda, que tem um -e- (dev-e-r, mo-e-r); e terceira, que tem um -i- (part-i-r, un-i-r). Por esses modelos se orientam todos os outros verbos, chamados regulares.
Muitos, porém, são os verbos irregulares. Os de irregularidade fraca diferenciam-se dos paradigmas nos tempos presentes ou no particípio (odiar, valer, abrir estão nesse caso, porque fazem odeio, valho, aberto, em lugar de odio, valo, abrido). Os de irregularidade fonética fogem às regras de mutação vocálica (chegar e invejar, por exemplo, seriam regulares se fizessem chégo e invêjo, como rego e desejo). Os 17 verbos de irregularidade forte (dar, ir, ser, pôr, ter, ver, vir, caber, dizer, estar, fazer, haver, poder, aprazer, querer, saber, trazer) não seguem qualquer paradigma e apresentam peculiaridades em quase todos os tempos. Ao contrário de todos os outros, apresentam dois radicais. São rizotônicos na primeira e terceira pessoas do pretérito perfeito do indicativo; ir e ser chegam a ter três raízes. Alguns são abundantes ou defectivos de pessoas (presenciar admite presencio ou presenceio na primeira pessoa do singular, enquanto precaver, no presente do indicativo, só se conjuga na primeira e segunda pessoas do plural -- precavemos e precaveis --, além de ser totalmente destituído de presente do subjuntivo).
Verbos relacionais. Nas orações ditas nominais, o verbo assume outro papel: o de indicar que, entre o sujeito e o predicativo, existem relações constantes (ser), novas ou inconstantes (estar), ou ainda uma mudança de estado (ficar). Assim, por exemplo: o menino é forte; o menino está forte; o menino fica forte. Entre as grandes línguas européias, só o português se empenha em distinguir essas três relações com tais verbos, além de outros, eventualmente.
Os verbos relacionais ou de ligação revelam o aspecto que se dá à definição do sujeito: são esvaziados de sua idéia original e, por isso, não têm conteúdo ideativo, com o que deixam, por definição, de ser verbos. São verbos apenas pela sua morfologia. Ser, estar e ficar são verbos como quaisquer outros, desde que não estejam relacionando o sujeito com o predicativo, como em "No princípio era o caos", "Meu irmão está em Paris", "Não pude ficar em casa". Nestes casos, poderiam ser trocados por existia, mora e permanecer. Na oração "Hoje não ando bem" o verbo é ideativo se ando for sinônimo de marcho, caminho. Contudo, se ando bem for equivalente a estou bem, tem-se um verbo relacional, que não exprime fato nenhum e se limita a indicar o aspecto da definição. Em tais casos, somente o contexto pode decidir sobre a interpretação conveniente.
Verbos auxiliares. As conjugações compostas valem-se dos chamados verbos auxiliares, que exprimem pessoa, número, tempo e modo. Juntam-se a infinitivos, gerúndios e particípios ideativos e sua morfologia é a dos verbos, categoria a que, por definição, não pertenceriam.
A língua portuguesa é riquíssima em verbos auxiliares, com os quais são expressos aspectos e a voz passiva. Os principais são: (1) ter, haver, para a conjugação anterior (ter feito, haver feito); (2) ter de, haver de, ir, dever, querer, poder, para a conjugação posterior (ter de fazer, haver de fazer, ir fazer, dever fazer, querer fazer, poder fazer); (3) estar, ir, vir, andar, para a conjugação contínua (estar fazendo, ir fazendo, vir fazendo, andar fazendo); (4) ser, para a conjugação passiva (ser feito).
Verbos pronominais. O acompanhamento obrigatório de pronomes átonos reflexivos caracteriza os verbos pronominais, como queixar-se e arrepender-se. Alguns são pronominais apenas em determinada acepção, como chamar, chamar-se.
Alguns verbos, embora apresentem a forma passiva, não exprimem passividade alguma. São os chamados verbos depoentes, entre os quais estão certos verbos de movimento, como chegar, correr, descer, entrar, fugir, ir, partir, passar, sair, subir, vir. O mesmo ocorre com nascer e morrer (entrar na vida e dela sair). Exemplos: "Era chegada a hora de jantar", ou seja, tinha chegado; "Meu pai é morto há longos anos", isto é, morreu.

Verbo auxiliar.
Denominação do verbo que, nos tempos compostos, se antepõe ao principal e exprime pessoa, número, tempo e modo.

Verbo de ligação
Termo que designa, em gramática, o verbo que não indica ação, mas estado, qualidade ou condição do sujeito.
Verbo depoente
Designação do verbo que, embora apresente a forma passiva, não exprime passividade, dentre os quais se incluem verbos de movimento.

verbo Intransitivo
Nome dado ao tipo de verbo cuja predicação expressa uma idéia completa e que não exige complemento.

Verbo irregular
Denominação do verbo que não segue o paradigma de sua conjugação, afasta-se de sua forma básica em determinadas flexões, com desvios no radical, na vogal temática ou nas desinências.

Verbo iterativo
Termo que designa o aspecto do verbo que exprime anterioridade ou ação repetida ou freqüente.

verbo Transitivo
Termo que designa, em gramática, o verbo que não tem sentido completo e precisa de um complemento.

verbo Transitivo direto
Termo que designa, em gramática, o verbo que tem o sentido completado por um objeto ligado a ele diretamente, sem preposição.

verbo Transitivo indireto
Termo que designa, em gramática, o verbo que tem o sentido completado por um objeto ligado a ele por meio de uma preposição.

Romantismo

Romantismo

ROMANTISMO NO BRASIL – O romantismo surge em 1830, influenciado pela Independência, em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas ligados à natureza e às questões político-sociais. Nas Artes Plásticas , influencia as obras dos pintores Araújo Porto Alegre (1806-1879), Victor Meirelles (1832-1903) e Rodolfo Amoedo (1857-1941) (ver Artes Plásticas no Brasil).
Na Literatura , o marco inicial é a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). A produção literária passa por quatro fases. A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade, o nacionalismo e a natureza. Seus expoentes são Araújo Porto Alegre (1806-1879) e Gonçalves de Magalhães.
Na segunda fase (1840-1850), predominam a descrição da natureza, a idealização do índio e o romance de costumes. Os destaques são Gonçalves Dias (1823-1864), poeta de Canção dos Tamoios e Marabá, José de Alencar (1829-1877), autor de O Guarani, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), de A Moreninha. Na terceira fase (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e prevalecem o individualismo, a subjetividade e a desilusão. Na poesia sobressaem-se Álvares de Azevedo (1831-1852), autor de Lira dos Vinte Anos , Casimiro de Abreu (1837-1860), de As Primaveras, e Fagundes Varela (1841-1875), de Cantos e Fantasias. Na prosa, consolidam-se os trabalhos de José de Alencar, com Senhora, e Bernardo Guimarães (1825-1884), autor de A Escrava Isaura. Destaca-se ainda Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), com Memórias de um Sargento de Milícias.
Na quarta e última fase (1860-1880), prevalece o caráter social e liberal ligado às lutas abolicionistas. É uma época de transição para o realismo e o parnasianismo. O grande representante na poesia é Castro Alves (1847-1871), autor do poema Navio Negreiro . Outro poeta importante é Sousândrade (1832-1902), autor de Guesa. Na prosa, destacam-se Franklin Távora (1842-1888), autor de O Cabeleira, e Machado de Assis (1839-1908), em suas primeiras obras, como Helena. Com o romantismo surgem as primeiras produções do regionalismo, que retrata de forma idealizada tipos e cenários de regiões do país.
Na música, o principal compositor é Carlos Gomes (1836-1896), autor de O Guarani. Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Destacam-se Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Luciano Gallet (1893-1931).
O Teatro desenvolve-se a partir da chegada da Corte portuguesa, em 1808. A primeira peça brasileira é a tragédia romântica Antônio José ou O Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, encenada por João Caetano (1808-1863). Mas é Martins Pena, autor de O Noviço , que é considerado o primeiro dramaturgo brasileiro importante (1815-1848).

Iluminismo

Corrente de pensamento dominante no século XVIII que estabelece o primado da razão como critério da verdade e do progresso da vida humana. Representa uma visão de mundo da burguesia intelectual da época. Seus principais idealizadores são: John Locke (1632-1704), Voltaire (1694-1778) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). As primeiras manifestações ocorrem na Inglaterra e na Holanda, porém alcança especial repercussão na França, onde se opõe às injustiças, à intolerância religiosa e aos privilégios do absolutismo em decadência. Prepara o caminho para a Revolução Francesa (1789), fornecendo-lhe, inclusive, o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
O movimento tem suas origens no Renascimento (século XV), o primeiro grande momento de construção de uma cultura burguesa, na qual a razão é tida como a chave para o entendimento do mundo. Para o iluminismo, Deus está na natureza e no homem, que pode descobri-lo por meio da razão, dispensando a Igreja. Afirma que as leis naturais regulam as relações sociais, assim como os fenômenos da natureza. Considera os homens naturalmente bons e iguais entre si – quem os corrompe é a sociedade. Cabe, portanto, transformá-la e, orientados pela busca da felicidade, garantir a todos liberdade de expressão e culto, igualdade perante a lei e defesa contra o arbítrio e a prepotência. Quanto à forma de governo para a almejada sociedade justa, uns defendem a monarquia constitucional, outros a república.
Símbolo de liberdade – Os precursores do iluminismo são o filósofo francês René Descartes (1596-1650) e o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727). Na Filosofia, o inglês John Locke representa o individualismo liberal contra o absolutismo monárquico. No seu Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690), trata a experiência como fonte do conhecimento, processado depois pela razão. Montesquieu, como é conhecido o escritor francês Charles Louis de Secondat (1689-1755), propõe em sua obra Do Espírito das Leis (1748) a independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como garantia da liberdade. Voltaire é o mais importante pensador iluminista, símbolo da liberdade de pensamento. Critica violentamente a Igreja e defende a monarquia comandada por um soberano esclarecido. Exilado na Inglaterra por ter ofendido um duque, publica Cartas Inglesas ou Filosóficas (1734), com elogios à liberdade reinante naquele país.
O suíço Rousseau torna-se o iluminista mais radical, precursor do socialismo e do romantismo. Na obra O Contrato Social (1762), defende o Estado democrático, voltado para o bem comum e a vontade geral, que inspira os ideais da Revolução Francesa. É dele a noção do “bom selvagem”, que representa o homem nascido bom e sem vícios, mas depois pervertido pelo meio social. Denis Diderot (1713-1784) organiza a Enciclopédia, 17 volumes de texto e 11 pranchas de ilustração publicados entre 1751 e 1772. Conta com a ajuda do matemático Jean D’Alembert (1717-1783) e de vários iluministas, como Voltaire, Montesquieu, Rousseau. Proibida pelo governo por divulgar as novas idéias, a obra passa a circular clandestinamente.
Na economia, o iluminismo é representado pela fisiocracia, contrária à intervenção do Estado na vida econômica, que tem em François Quesnay (1694-1774) seu principal expoente, e pelo liberalismo econômico, inspirado nas idéias do escocês Adam Smith (1723-1790), considerado “o pai da economia política”. No livro Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776), Smith defende o trabalho livre como fonte de riqueza e a economia dirigida pelas leis de oferta e procura, o laissez-faire.
As idéias iluministas influenciam alguns governantes, que procuram agir segundo a razão e o interesse do povo, sem contudo abrir mão do poder absoluto – o que dá origem ao despotismo esclarecido, no século XVIII. Ocorrem melhorias na economia, no ensino e na administração. Liberdade de culto e igualdade civil são garantidas. Mas permanecem incólumes tanto a servidão como a autocracia, com o aguçamento inevitável das contradições sociais e políticas.

Arcadismo

Movimento literário que se desenvolve na poesia no século XVIII, de acordo com os princípios neoclássicos. Numa época marcada pelo racionalismo e pela visão científica do mundo inaugurada pelo iluminismo, o arcadismo defende uma literatura mais simples, objetiva, descritiva e espontânea, que se opõe à emoção, à religiosidade e ao exagero do barroco, considerado confuso e rebuscado. A idéia de que toda beleza está na natureza e a idealização da vida no campo e do homem simples fazem do arcadismo um movimento nostálgico diante da revolução industrial e da urbanização que começam a acontecer em parte da Europa.
O nome do movimento deve-se a um grupo que em 1690 funda em Roma uma sociedade literária batizada de Arcádia e chama seus integrantes de pastores. Na mitologia grega, Arcádia é uma região onde poetas e pastores vivem de amor e poesia. Em 1756 surge a Arcádia Lusitana, em Portugal, inspirada na de Roma.O autor de maior destaque é Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805).
Os poemas árcades exibem linguagem clara e seguem métricas definidas. São comuns estruturas populares como os rondós, os madrigais e as redondilhas maior e menor. Na temática predominam os temas bucólicos e amorosos.

ARCADISMO NO BRASIL – Com o arcadismo desenvolve-se no país a primeira produção literária adaptada à realidade brasileira. A literatura começa a afastar-se dos modelos portugueses, ao descrever as paisagens locais e criticar a situação política do país. Surgem vários autores em Vila Rica, Minas Gerais, capital cultural e centro de riqueza na época. Grande parte dos escritores está ligada à Inconfidência Mineira. Embora não cheguem a criar um grupo nos moldes das Arcádias, constituem a primeira geração literária brasileira.
A transição do barroco para o arcadismo no país se dá com a publicação, em 1768, do livro Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789). Entre os árcades destacam-se, ainda, o português que vive no Brasil Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), autor de Marília de Dirceu e Cartas Chilenas; Basílio da Gama (1741-1795), autor de O Uraguai; e Silva Alvarenga (1749-1814), autor de Glaura. Apesar do engajamento pessoal, a produção literária desses autores não está a serviço da política. O gênero predomina até o início do século XIX, quando surge o romantismo.

Renascimento

Explosão de criações artísticas, literárias e científicas inspiradas na Antiguidade Clássica greco-romana, por isso chamada Renascimento. Marca a Europa de 1330 a 1530 e tem como centro irradiador a Itália. O homem renascentista acredita que tudo se explica pela razão e pela ciência. Traço marcante do Renascimento, o humanismo tem por base o neoplatonismo, que exalta os valores humanos e dá nova dimensão ao homem. Choca-se, assim, com os dogmas e proibições da Igreja Católica, critica o mundo medieval e enfrenta a Inquisição . A concentração de riqueza nas mãos de comerciantes e banqueiros faz com que burgueses, como os Medici de Florença, se tornem grandes mecenas. O movimento expande-se a partir de 1460, com a fundação de academias, bibliotecas e teatros em Roma, Florença, Nápoles, Paris e Londres.
O racionalismo e a preocupação com o homem e a natureza estimulam a pesquisa científica. O polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) fundamenta a tese do Sol como centro do Universo. Paracelso (1493-1541), da Suíça, estuda as drogas medicinais . O médico inglês William Harvey (1578-1657) revela o mecanismo completo da circulação sanguínea. O alemão Johannes Kepler (1571-1630) aperfeiçoa o telescópio. O italiano Galileu Galilei (1564-1642) desenvolve métodos científicos de análise e comprovação experimental. A pólvora começa a ser usada como arma de guerra. A imprensa de letras metálicas móveis é inventada em 1448 pelo alemão Johann Gutenberg (1400-1468).

Literatura no Brasil

As primeiras manifestações das letras no Brasil colonial são textos informativos, que visam a conquista do território e a expansão da fé católica. Dependente de Portugal, esse tipo de literatura inicia-se em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha (1450-1500) sobre a terra recém-descoberta. Seguem-se os tratados dos cronistas portugueses, como Pero de Magalhães Gandavo, autor de Tratado da Terra do Brasil, e Gabriel Soares de Sousa (1540?-1591), de Tratado Descritivo do Brasil. Entre os poemas, sermões e peças religiosas escritos pelos jesuítas para a catequese dos índios, a partir de 1549, destacam-se os textos dos padres José de Anchieta (1534-1597), autor de “Poema à Virgem”, e Manuel da Nóbrega (1517-1570), que escreve Diálogo sobre a Conversão do Gentio.
Barroco – O marco inicial do barroco no Brasil é a publicação, em 1601, de Prosopopéia, poema épico de Bento Teixeira (1561-1600) sobre a conquista de Pernambuco. Destacam-se também os sermões, como os do padre Antônio Vieira (1608-1697). Poemas de Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) e do frei Manuel de Santa Maria Itaparica (1704-1768) celebram as belezas e os recursos naturais da colônia. A obra do poeta baiano Gregório de Matos (1636?-1696), que vai do religioso ao satírico e ao erótico, é a mais importante produzida no Brasil no período.
No início do século XVIII, as academias difundem o gosto pelas letras e realizam trabalhos de pesquisa histórica. As mais importantes são a dos Esquecidos, em Salvador (1724/25), e as dos Felizes (1736-1740) e dos Seletos (1752-1754), no Rio de Janeiro.
Arcadismo – Em 1768, a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), é considerada o marco inicial do arcadismo. O movimento tenta adequar as propostas do neoclassicismo europeu às condições de vida brasileira e produz uma poesia lírica e bucólica. Um dos principais nomes é Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), autor de Marília de Dirceu e Cartas Chilenas.
Romantismo – O marco inicial do romantismo brasileiro é a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). O movimento, de caráter nacionalista, valoriza a natureza, a história e a língua brasileiras. O ideal da pureza amorosa é contraposto às convenções sociais. O primeiro grande romântico brasileiro é Gonçalves Dias (1823-1864). No poema I-Juca Pirama, inova ao substituir o ancestral português pelo índio. Álvares de Azevedo (1831-1852), autor de Lira dos Vinte Anos, é um dos representantes do ultra-romantismo, caracterizado pela poesia egocêntrica, sentimental e pessimista. Na prosa, destacam-se Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), autor de A Moreninha, e José de Alencar (1829-1877). Em sua obra trata da temática indianista (O Guarani e Iracema ), urbana (Lucíola) e regionalista (O Gaúcho). A poesia social é praticada por Castro Alves (1847-1871), autor de O Navio Negreiro e Espumas Flutuantes, de inspiração abolicionista, e por Sousândrade (1833-1902), autor do Guesa. O anti-sentimentalismo e o estilo irônico aparecem em Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), que escreve Memórias de um Sargento de Milícias. Bernardo Guimarães (1825-1884), autor de A Escrava Isaura, e Alfredo de Taunay (1843-1899), de Inocência, orientam-se para o regionalismo, que enfoca costumes e tradições do interior brasileiro.
Realismo – As transformações político-sociais do
2º Reinado, o desenvolvimento das cidades e o crescimento da população urbana impulsionam a crise do romantismo. Considerado o marco inicial do realismo brasileiro, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis (1839-1908), faz uma análise crítica da sociedade da época. Na linha de indagação psicológica está O Ateneu (1888), de Raul Pompéia (1863-1895), que trata do relacionamento entre alunos e professores num repressivo colégio interno. Sob a influência do naturalismo, que considera o comportamento humano o resultado da influência da hereditariedade e do meio ambiente, Aluísio Azevedo (1857-1913) escreve O Cortiço (1890).
Parnasianismo – Ao rejeitar o sentimentalismo romântico e as preocupações sociais, o parnasianismo propõe uma poesia de preocupação formal. Alberto de Oliveira (1857-1937), autor de Meridionais, e Raimundo Correa (1859-1911), de Sinfonias, buscam correção métrica, vocabulário raro e rimas exóticas. A obra de Olavo Bilac (1865-1918), autor de Via Láctea, é a mais representativa do movimento.
Simbolismo – A publicação de Broquéis e Missal (1893), de Cruz e Sousa (1861-1898), inaugura o simbolismo, que se caracteriza por uma poesia mística, espiritual, e pela preferência por ritmos musicais. Destacam-se os poetas Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), autor de Câmara Ardente, e Augusto dos Anjos (1884-1914), que trabalha a temática da morte e da decomposição da matéria.
Pré-modernismo – No início do século XX, fase de consolidação da república e de expansão cultural, alguns escritores passam a expressar uma visão crítica dos problemas socioeconômicos brasileiros e antecipam uma das tendências mais marcantes do modernismo. Por essa razão, são considerados pré-modernos. Lima Barreto (1881-1922) faz uma caricatura do nacionalismo e da pobreza dos subúrbios cariocas. Euclides da Cunha (1866-1909), em Os Sertões , revela a situação miserável do sertanejo nordestino. Monteiro Lobato (1882-1948), além de ficção (Urupês) e ensaios, escreve o ciclo do Sítio do Pica-Pau Amarelo , o maior conjunto de literatura infantil já escrito no Brasil.
Modernismo – No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Em 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, coreografias, declamações de poesia e exposição de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências da arte e da literatura do país. Os idealizadores da Semana rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a absorção de algumas tendências estéticas internacionais para que elas se mesclem com a cultura nacional, originando uma arte vinculada à realidade brasileira. O evento escandaliza público e críticos.
A partir da Semana de Arte Moderna surgem vários grupos e movimentos, radicalizando ou opondo-se a seus princípios básicos. O escritor Oswald de Andrade (1890-1954) e a artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973) lançam em 1924 o Manifesto Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade européia. Em 1928, eles levam ao extremo essas idéias com o Manifesto Antropofágico, que propõe “devorar” influências e valores estrangeiros para impor o caráter brasileiro à arte e à Literatura. No mesmo ano, como efeito das idéias modernistas, o sociólogo e escritor Gilberto Freyre (1900-1987) lança o Manifesto Regionalista. Por outro caminho, politicamente mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia (1892-1988) e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Num movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se às vanguardas européias e aderem a idéias políticas que prenunciam o integralismo , versão brasileira do fascismo.
A divulgação das teorias vanguardistas européias é feita, em 1922, pela Semana de Arte Moderna, marco inicial do modernismo brasileiro. Esta fase representa uma ruptura com o passado literário parnasiano e um resgate de tradições tipicamente brasileiras.
Com a chamada Geração de 22, instalam-se, na literatura brasileira, o verso livre, a prosa experimental e uma exploração criativa do folclore, da tradição oral e da linguagem coloquial. Os principais autores são Mário de Andrade (1893-1945) , que escreve Paulicéia Desvairada e Macunaíma , Oswald de Andrade (1890-1954), autor de Memórias Sentimentais de João Miramar, e Manuel Bandeira (1886-1968), de Ritmo Dissoluto. A esse núcleo juntam-se, a partir de 1930, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) , autor de Alguma Poesia , Mário Quintana (1906-) , de A Rua do Catavento , e Jorge de Lima (1895-1953), de Poemas Negros, entre outros.
Posteriormente, com a geração que surge em 30, há uma fase de grande tensão ideológica e de abordagem da Literatura como instrumento de conhecimento e modificação da realidade. O regionalismo amplia sua temática. Paisagens e personagens são regionais, mas são usados para abordar assuntos de interesse universal. Surgem novos nomes, como José Américo de Almeida , (1887-1980) autor de A Bagaceira , Érico Verissimo (1905-1975), da trilogia O Tempo e o Vento, Jorge Amado (1912-), de Capitães da Areia , Rachel de Queiroz (1910-) , autora de O Quinze, José Lins do Rego (1901-1957), de Menino de Engenho, e Graciliano Ramos (1892-1953), que escreve São Bernardo e Vidas Secas. Numa linha mais intimista estão poetas como Cecília Meireles (1901-1964), autora de Vaga Música, Vinícius de Moraes (1913-1980) , de Poemas, Sonetos e Baladas , Augusto Frederico Schmidt (1906-1995), de Desaparição da Amada, e Henriqueta Lisboa (1904-1985), que escreve A Face Lívida.
Em reação à politização da fase anterior, os poetas da geração de 45 recuperam o parnasianismo, como Lêdo Ivo (1924-), autor de Acontecimento do Soneto. João Cabral de Melo Neto (1920-) , de Morte e Vida Severina, destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento político. Na prosa, os nomes mais importantes são Guimarães Rosa (1908-1967) , autor de Sagarana e Grande Sertão: Veredas , e Clarice Lispector (1920-1977), de Perto do Coração Selvagem.
de Barros (1916-).

ARTES PLÁSTICAS – O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco de Goya (1746-1828). Na França, destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).

LITERATURA – A poesia lírica é a principal expressão. Também são freqüentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. O marco inicial da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827). O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. Poeta fundamental do romantismo inglês é Lord Byron (1788-1824). Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott (1771-1832). Na Alemanha, o expoente é Goethe (1749-1832), autor de Fausto .
O romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo (1802-1885), autor de Os Miseráveis . Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros.

MÚSICA – Os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação-solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.
A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828).
O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frederic Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.

TEATRO – A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare (1564-1616) e situações próximas do cotidiano são as principais características. O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron (1788-1824), de Marino Faliero.

Regência nominal

Regência nominal

A regência nominal estuda os casos em que um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exige um outro termo que lhe complete o sentido. Normalmente, o complemento de um nome vem iniciando por uma preposição.
O fato de um nome ou um verbo exigir determinada preposição ou não exigir prende-se ao uso que os falantes do idioma vão fazendo da língua. Assim, com o passar do tempo, determinadas formas vão sendo incorporadas pela língua culta, isto é, pela língua gramaticalmente correta enquanto outras formas consideradas incorretas vão sendo rejeitadas, embora continuem, em sua maioria, a ser aceitas pela língua popular usadas por ela.
No que se refere à regência nominal, quase não há diferença de usos, se compararmos a língua popular. Por esse motivo - e também pelo fato de ser um assunto pouco exigido nos exames vestibulares - vamos oferecer a você apenas uma pequena lista onde estão relacionados alguns nomes e as preposições que ele exigem.

alheio A , DE hostil A, PARA
apto A, PARA imune A
contente COM, DE , POR impossível DE
cruel COM, PARA inútil A, PARA
dedicado A junto A, DE
fácil DE, PARA propenso A, PARA



Regência Verbal


A regência estuda a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as orações de um período. A regência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e seus complementos. Na realidade o que estudamos na regência verbal é se o verbo é transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou intransitivo e qual a preposição relacionada com ele.
Vamos, então, aos verbos.



Verbos Transitivos Diretos


São verbos que indicam que o sujeito pratica a ação, sofrida por outro elemento, denominado objeto direto. Por essa razão, uma das maneiras mais fáceis de se analisar se um verbo é transitivo direto é passar a oração para a voz passiva, pois somente verbo transitivo direto admite tal transformação, além de obedecer, pagar e perdoar, que, mesmo não sendo VTD, admitem a passiva.
O objeto direto pode ser representado por um substantivo ou palavra substantivada, uma oração (oração subordinada substantiva objetiva direta) ou por um pronome oblíquo.
Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto direto são os seguintes: me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto direto são os seguintes: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Como são pronomes oblíquos tônicos, só são usados com preposição, por isso se classificam como objeto direto preposicionado.
Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos diretos: Há verbos que surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.


Aspirar será VTD, quando significar sorver, absorver.

Como é bom aspirar a brisa da tarde.


Visar será VTD, quando significar mirar ou dar visto.

O atirador visou o alvo, mas errou o tiro.

O gerente visou o cheque do cliente.


Agradar será VTD, quando significar acariciar ou contentar.

O Gilson ficou agarrando a menina por horas.

Para agradar o pai, ficou em casa naquele dia

.
Querer será VTD, quando significar desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar..

Sempre quis seu bem.

Quero que me digam quem é o culpado.

Chamar será VTD, quando significar convocar.

Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.


Implicar será VTD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como conseqüência, acarretar.

Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade.

Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.


Desfrutar e Usufruir são VTD sempre.

Desfrutei os bens deixados por meu pai.

Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam. (e não desfrutam dele, como foi escrito no tema da redação da UEL em julho de 1996)


Namorar é sempre VTD. Só se usa a preposição com, para iniciar Adjunto Adverbial de Companhia. Esse verbo possui os significados de inspirar amor a, galantear, cortejar, apaixonar, seduzir, atrair, olhar com insistência e cobiça, cobiçar.

Joanilda namorava o filho do delegado.

O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.

Eu estava namorando este cargo há anos.


Compartilhar é sempre VTD.

Berenice compartilhou o meu sofrimento.


Esquecer e Lembrar serão VTD, quando não forem pronominais, ou seja, caso não sejam usados com pronome, não serão usados também com preposição.

Esqueci que havíamos combinado sair.

Ela não lembrou o meu nome.



Verbos Transitivos Indiretos


São verbos que se ligam ao complemento por meio de uma preposição. O complemento é denominado objeto indireto.
O objeto indireto pode ser representado por um substantivo, ou palavra substantivada, uma oração (oração subordinada substantiva objetiva indireta) ou por um pronome oblíquo.
Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.
Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos indiretos: Há verbos que surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.



Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. a:

Aspirar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar..

Aspiramos a uma vaga naquela universidade.


Visar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar.

Sempre visei a uma vida melhor.


Agradar será VTI, com a prep. a, quando significar ser agradável; satisfazer.

Para agradar ao pai, estudou com afinco o ano todo.


Querer será VTI, com a prep. a, quando significar estimar.

Quero aos meus amigos, como aos meus irmãos.


Assistir será VTI, com a prep. a, quando significar ver ou ter direito.

Gosto de assistir aos jogos do Santos.

Assiste ao trabalhador o descanso semanal remunerado.


Custar será VTI, com a prep. a, quando significar ser difícil. Nesse caso o verbo custar terá como
sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.

Custou-me acreditar em Hipocárpio. e não Eu custei a acreditar...

Proceder será VTI, com a prep. a, quando significar dar início.

Os fiscais procederam à prova com atraso.


Obedecer e desobedecer são sempre VTI, com a prep. a.

Obedeço a todas as regras da empresa.



Revidar é sempre VTI, com a prep. a.

Ele revidou ao ataque instintivamente.


Responder será VTI, com a prep. a, quando possuir apenas um complemento.

Respondi ao bilhete imediatamente.

Respondeu ao professor com desdém.

Caso tenha dois complementos, será VTDI, com a prep. a.


Alguns verbos transitivos indiretos, com a prep. a, não admitem a utilização do complemento lhe. No lugar, deveremos colocar a ele, a ela, a eles, a elas. Dentre eles, destacam-se os seguintes:
Aspirar, visar, assistir(ver), aludir, referir-se, anuir.
Quando houver, na oração, um verbo transitivo indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).

Assisti à peça das meninas do terceiro colegial.


Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. com:

Simpatizar e Antipatizar sempre são VTI, com a prep. com. Não são verbos pronominais, portanto não existe o verbo simpatizar-se, nem antipatizar-se.

Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.


Implicar = será VTI, com a prep. com, quando significar antipatizar.

Não sei por que o professor implica comigo.


Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. de:


Esquecer-se e lembrar-se serão VTI, com a prep. de, quando forem pronominais, ou seja, somente quando forem usados com pronome, poderão ser usados com a prep. de.

Esqueci-me de que havíamos combinado sair.

Ela não se lembrou do meu nome.


Proceder será VTI, com a prep. de, quando significar derivar-se, originar-se.

Esse mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu.



Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. em:


Consistir é sempre VTI, com a prep. em. Esse verbo significa cifrar-se, resumir-se ou estar firmado, ter por base, ser constituído por.

O plano consiste em criar uma secretaria especial.


Sobressair é sempre VTI, com a prep. em. Não é verbo pronominal, portanto não existe o verbo sobressair-se.

Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.


Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. por:


Torcer é VTI, com a prep. por. Pode ser também verbo intransitivo. Somente neste caso, usa-se com a prep. para, que dará início a Oração Subordinada Adverbial de Finalidade. Para ficar mais fácil, memorize assim: Torcer por + substantivo ou pronome. Torcer para + oração (com verbo).

Estamos torcendo por você.

Estamos torcendo para você conseguir seu intento.


Chamar será VTI, com a prep. por, quando significar invocar.

Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.



Verbos Transitivos Diretos e Indiretos


São os verbos que possuem os dois complementos - objeto direto e objeto indireto.


Chamar será VTDI, com a prep. a, quando significar repreender.

Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula.
Chamei-o à atenção.

Obs.: A expressão Chamar a atenção de alguém não significa repreender, e sim fazer se notado. Por exemplo: O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam.


Implicar será VTDI, com a prep. em, quando significar envolver alguém.

Implicaram o advogado em negócios ilícitos.


Custar será VTDI, com a prep. a, quando significar causar trabalho, transtorno.

Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família.


Agradecer, Pagar e Perdoar são VTDI, com a prep. a. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.

Agradeci a ela o convite.

Paguei a conta ao Banco.

Perdôo os erros ao amigo.


Pedir é VTDI, com a prep. a. Sempre deve ser construído com a expressão Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que alguém faça algo.

Pedimos a todos que tragam os livros.


Preferir é sempre VTDI, com a prep. a. Com esse verbo, não se deve usar mais, muito mais, mil vezes, nem que ou do que.

Prefiro estar só a ficar mal-acompanhado.


Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são VTDI, admitindo duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de algo.

Advertimos aos usuários que não nos responsabilizamos por furtos ou roubos.

Advertimos os usuários de que não nos responsabilizamos por furtos ou roubos.


Quando houver, na oração, um verbo transitivo direto e indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).

Advertimos às alunas que não poderiam usar a sala fora do horário de aula.



Verbos Intransitivos


São os verbos que não necessitam de complementação. Sozinhos, indicam a ação ou o fato.

Assistir será intransitivo, quando significar morar.

Assisto em Londrina desde que nasci.


Custar será intransitivo, quando significar ter preço.

Estes sapatos custaram R$50,00.


Proceder será intransitivo, quando significar ter fundamento.

Suas palavras não procedem!


Morar, residir e situar-se sempre são intransitivos.

Moro em Londrina; resido no Jardim Petrópolis; minha casa situa-se na rua Denise de Souza.


Deitar-se e levantar-se são sempre intransitivos.

Deito-me às 22h e levanto-me às 6h.


Ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer e dirigir-se são intransitivos. Aparentemente eles têm complemento, pois Quem vai, vai a algum lugar. Porém a indicação de lugar é circunstância, e não complementação. Classificamos como Adjunto Adverbial de Lugar. Alguns gramáticos classificam como Complemento Circunstancial de Lugar.
Esses verbos exigem a prep. a, na indicação de destino, e de, na indicação de procedência.

Só se usa a prep. em, na indicação de meio, instrumento.

Cheguei de Curitiba há meia hora.

Vou a São Paulo no avião das 8h.


Quando houver, na oração, um verbo intransitivo, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).

Vou à Bahia.


Verbos de regência oscilante

VTD ou VTI, com a prep. a:

Assistir pode ser VTD ou VTI, com a prep. a, quando significar ajudar, prestar assistência.
Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos.

Minha família sempre assistiu ao Lar dos Velhinhos.


Chamar pode ser VTD ou VTI, com a prep. a, quando significar dar qualidade. A qualidade pode vir precedida da prep. de, ou não.

Chamaram-no irresponsável.
Chamaram-no de irresponsável.

Chamaram-lhe irresponsável.

Chamaram-lhe de irresponsável.


Atender pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.

Atenderam o meu pedido prontamente.

Atenderam ao meu pedido prontamente.


Anteceder pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.

A velhice antecede a morte.

A velhice antecede à morte.


Presidir pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.

Presidir o país.

Presidir ao país.

Renunciar pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.

Nunca renuncie seus sonhos.

Nunca renuncie a seus sonhos.


Satisfazer pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.

Não satisfaça todos os seus desejos.

Não satisfaça a todos os seus desejos.


VTD ou VTI, com a prep. de:

Precisar e necessitar podem ser VTD ou VTI, com a prep. de.

Precisamos pessoas honestas.

Precisamos de pessoas honestas.


Abdicar pode ser VTD ou VTI, com a prep. de, e também VI.

O Imperador abdicou o trono.

O Imperador abdicou do trono.

O Imperador abdicou.


Gozar pode ser VTD ou VTI, com a prep. de.

Ele não goza sua melhor forma física.

Ele não goza de sua melhor forma física.


VTD ou VTI, com a prep. em:

Acreditar e crer podem ser VTD ou VTI, com a prep. em.

Nunca cri pessoas que falam muito de si próprias.

Nunca cri em pessoas que falam muito de si próprias.


Atentar pode ser VTD ou VTI, com a prep. em, ou com as prep. para e por.

Em suas redações atente a ortografia.

Deram-se bem os que atentaram nisso.

Não atentes para os elementos supérfluos.

Atente por si, enquanto é tempo.


Cogitar pode ser VTD ou VTI, com a prep. em, ou com a prep. de.

Começou a cogitar uma viagem pelo litoral brasileiro.

Hei de cogitar no caso.

O diretor cogitou de demitir-se.


Consentir pode se VTD ou VTI, com a prep. em.

Como o pai desse garoto consente tantos agravos?

Consentimos em que saíssem mais cedo.


VTD ou VTI, com a prep. por:

Ansiar pode ser VTD ou VTI, com a prep. por.

Ansiamos dias melhores.

Ansiamos por dias melhores.


Almejar pode ser VTD ou VTI, com a prep. por, ou VTDI, com a prep. a.

Almejamos dias melhores.

Almejamos por dias melhores.

Almejamos dias melhores ao nosso país.


VI ou VTI, com a prep. a:

Faltar, Bastar e Restar podem ser VI ou VTI, com a prep. a.

Muitos alunos faltaram hoje.

Três homens faltaram ao trabalho hoje.
Resta aos vestibulandos estudar bastante.

Na última frase apresentada não há erro algum, como à primeira vista possa parecer. A tendência é de o aluno concordar o verbo estudar com a palavra vestibulando, construindo a oração assim: Resta os vestibulandos estudarem. Porém essa construção está totalmente errada, pois o verbo é transitivo indireto, portanto resta a alguém. Então vestibulandos funciona como objeto indireto e não como sujeito. Nenhum verbo concorda com o objeto indireto.

Quando houver, na oração, um verbo transitivo indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).

Assisti à peça das meninas do terceiro colegial.


VI ou VTD

Pisar pode ser VI ou VTD. Quando for VI, admitirá a prep. em, iniciando Adjunto Adverbial de Lugar.

Pisei a grama para poder entrar em casa.

Não pise no tapete, menino!

REALISMO / NATURALISMO

REALISMO / NATURALISMO
I.) A Época é
Na Segunda metade do século XIX, a concepção espiritualista de mundo, que tinha caracterizado o período romântico, vai cedendo lugar a uma concepção científica e materialista. Tal visão de mundo decorre do enorme valor que se atribuiu à ciência, vista na época como o único instrumento seguro para explicar a realidade e também gerar riquezas. O espírito científico era considerado como critério supremo na compreensão e análise da realidade. A ciência vai determinar as novas maneiras de pensar e viver.
Para ter uma idéia da atmosfera dominante, atente para as palavras do filósofo francês Taine: "Pouco importa que os fatos sejam físicos ou morais; eles sempre têm as suas causas. Tanto causas para a ambição, a coragem, a veracidade, como para a digestão, o movimento muscular e o calor animal. O vício e a virtude são produtos químicos como o açúcar e o vitríolo ".
Em 1859 Darwin publica A origem das espécies. Nessa obra, a evolução das espécies é considerada como resultado do mecanismo de seleção natural. A idéia básica de tal mecanismo é a de que o meio ambiente condiciona todos os seres, deixando sobreviver os mais fortes e eliminando os mais fracos. A natureza de todos os seres, o homem inclusive, seria determinada por circunstâncias externas. O meio ambiente passa a ter enorme importância, pois condiciona matéria e espírito. Essa concepção biológica de vida, chamada darwinismo, seria responsável por grandes mudanças no campo científico, repercutindo na economia, na filosofia e na política.
O positivismo, corrente filosófica baseada no método das ciências naturais, traduziu essa visão de mundo, pois concentrava-se nos fatos, rejeitando qualquer explicação metafísica para a atuação do homem no mundo, além de propagar a idéia de que somente o progresso material já seria suficiente para neutralizar os desequilíbrios sociais.
Segundo os positivistas, todos os fenômenos podem ser explicados pela ciência, o que os reduz, portanto, ao aspecto simplesmente material.
A psicologia também apresenta mudanças, subordinando os fenômenos psíquicos aos fisiológicos, estes sim considerados de grande importância, por serem observáveis e analisáveis.
No plano econômico, nota-se acentuado interesse pelo liberalismo da época anterior.
Politicamente, defendem-se idéias republicanas e socialistas. É bom lembrar que o Manifesto do Partido Comunista, data de 1848.
Em resumo: a ciência, que tinha conseguido revelar as leis naturais, extremamente objetivas, suplanta o idealismo do período romântico, formulando uma concepção predominantemente materialista da vida.
No Brasil assinalam-se fatos importantes nesse período:
- a abolição do tráfico de negros coloca em disponibilidade grandes capitais, que passam a ser empregados em atividades urbanas, levando as cidades ao crescimento
- a lavoura cafeeira prospera, possibilitando a expansão de novas áreas de povoamento, assim como o aquecimento das atividades produtora e consumidora; surge o telégrafo;inaugura-se, em 1874, o cabo telegráfico submarino entre o Brasil e Europa;
- aparecem os primeiros jornais publicados regularmente
A burguesia volta-se para a ciência, enxergando nela respostas e soluções para os problemas do momento histórico que o país vivia. O pensamento europeu, principalmente o positivista, encontra, por isso, grande ressonância entre nós. Por volta de 1870, a Faculdade de Direito de Recife está em plena atividade. A partir dela formam-se grupos que consideram a atividade científica como base para um renovação do pensamento, utilizando revistas e jornais como veículo de divulgação de suas idéias.
II.) O ESTILO é
Num sentido amplo, realismo aplica-se a toda obra em que o artista procura representar a realidade de maneira objetiva, quase fotográfica.
Como estilo de época, Realismo designa o conjunto de características que marcam a literatura e as outras artes na Segunda metade do século XIX.
A seguir, alguns dos princípios aceitos pelos realistas e naturalistas, no que diz respeito à criação literária.
1.Posição do artista diante da realidade é
O artista procura nivelar sua atitude à do cientista. Daí decorre a objetividade que o escritor procura manter durante a narrativa, não idealizando a realidade, mas limitando-se a registrá-la, o que nem sempre consegue. Por isso, o artista não emite julgamentos a respeito de fatos ou personagens.
O escritor naturalista francês Émile Zola, por exemplo, afirmou, a respeito de duas personagens de um de seus romances: "Limitei-me a fazer em dois corpos vivos aquilo que os cirurgiões fazem em cadáveres".
2.Posição do artista diante da obra de arte é
O romance é encarado como um instrumento de denúncia e combate, uma vez que focaliza os desequilíbrios sociais. É o que se chama de "arte engajada". Observe no fragmento seguinte como o narrador analisa e denuncia o problema da escravidão e do preconceito racial,
A disciplina militar, com todos os seus excessos, não se comparava ao penoso trabalho da fazenda, ao regímen terrível do tronco e do chicote. Havia muita diferença. (...) Ali ao menos, na fortaleza, ele tinha sua maca, seu travesseiro, sua roupa limpa, e comia bem, a fartar, como qualquer pessoa. (...) Depois, a liberdade, minha gente, só a liberdade valia por tudo! Ali não se olhava a cor ou a raça do marinheiro: todos eram iguais, tinham as mesmas regalias – o mesmo serviço, a mesma folga.
(Adolfo Caminha. Bom-Crioulo)
3.Concepção de homem é
Para o romântico, o homem é a medida de todas as coisas. Para o escritor realista/naturalista, o homem é apenas uma peça na engrenagem do mundo, com funções semelhantes às das demais peças pertencentes ao reino animal ou vegetal. Decorre daí que, principalmente nos escritores de tendência naturalista, o narrador enfatiza comportamentos instintivos das personagens e as compara com animais.
Ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos...
(Aluísio Azevedo. O cortiço)
4.Personagens é
As personagens deveriam ser moldadas de acordo com a realidade observada de fora pelo narrador, sem idealizações. Obedecendo a esse princípio, o escritor toma duas direções: retrato do corpo e dos comportamentos exteriores da personagem (tendência naturalista, principalmente) e retrato do espírito e da vidas interior da personagem (predominante na tendência realista).
O comportamento das personagens decorre de causas biológicas e sociais que o determinam. Suas ações nunca são gratuitas.
Nos escritores de tendência naturalista, é comum aparecerem personagens que representam casos patológicos. Não porque o escritor as considere excepcionais, mas porque elas podem funcionar como índices dos males que corrompiam a sociedade.
Para os naturalistas, a personagem está condicionada ao meio ambiente em que vive, nada podendo fazer contra o peso das influências externas, tornando-se vítima da fatalidade das cegas leis naturais. Por isso, é comum que tais personagens se vejam reduzidas a meros joguetes de forças biológicas ou sociais. Cada uma é um caso a ser analisado com os recursos da ciência, para comprovar uma tese aceita pelo escritor.
Eis um exemplo:
O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a sua esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes.
(Aluísio Azevedo. O Cortiço)
5.Concepção de amor e casamento é
Se os românticos geralmente se detinham na análise dos antecedentes do casamento, o realista/naturalista está preocupado, principalmente, em focalizar o adultério, que é encarado como causa da destruição da família e, consequentemente, da sociedade.
O amor, sobretudo para os naturalistas, é visto como um ato fisiológico.
Amara-o a princípio por afinidade de temperamento, pela irresistível conexão do instinto luxurioso e canalha que predominava em ambos (...) mas desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranqüila serenidade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior.
(Aluísio Azevedo. O Cortiço)
6.Espaço focalizado é
Existe uma preferência nítida pelo espaço urbano, pois a burguesia fixou-se sobretudo nas cidades.
Os bondes passavam. Senhoras vinham à janela, compondo os cabelos numa ânsia de novidade. Latiam cães. Um movimento cheio de rumores, uma balbúrdia... Chegavam soldados, marinheiros, policiais. Fechavam-se portas com estrondo.
(Adolfo Caminha. Bom-Crioulo)
7.Tempo histórico focalizado é
O escritor realista/naturalista preocupa-se sobretudo com personagens que retratem pessoas de sua época, diferindo assim de alguns procedimentos românticos de volta ao passado ou de projeção para o futuro.
Encarando o seu presente histórico, o autor capta os conflitos do homem da época, os seus problemas concretos, dando preferência aos dramas cotidianos de gente simples.
Falava-se da chamada dos conservadores ao poder, e da dissolução da Câmara. Rubião assistira à reunião em que o Ministério Itaboraí pediu os orçamentos. Tremia ainda ao contar suas impressões, descrevia a Câmara, tribunas, galerias cheias que não cabia um alfinete, o discurso de José Bonifácio, a moção, a votação...
(Machado de Assis. Quincas Borba, publicado pela primeira vez em 1891.)
8.Narrativa é
O romancista propõe-se criar enredos em que os conflitos se resolvam com determinadas forças que estejam em ação. O processo narrativo, obedecendo à lógica, elimina os acasos e milagres, comuns nos romances românticos. Por vezes, o desenlace de uma trama é previsível e raramente ocorrem sobressaltos ou surpresas para o leitor.
9.Linguagem é
A linguagem utilizada pelos realistas/naturalistas é mais simples que a linguagem dos românticos. O detalhismo é uma das características desta linguagem, pois o narrador pretende conseguir o retrato fiel da realidade focalizada.
Nos escritores que tendem para o naturalismo, ocorrem muitas expressões tomadas às ciências físicas e biológicas. Desses princípios resultam as características fundamentais do texto realista/naturalista:
a.) Objetividade por parte do narrador;
b.) Nivelamento do homem aos demais seres do universo;
c.) Não idealização das personagens;
d.) Condicionamento das personagens ao meio físico e social;
e.) Concepção de amor como um fato predominantemente fisiológico;
f.) Predominância do espaço urbano;
g.) Preocupação do escritor em focalizar seu tempo histórico;
h.) Linguagem mais simples que a dos românticos;
Torna-se agora necessário estabelecer a diferença entre Realismo e Naturalismo.
Essa diferença nem sempre é fácil de se verificar nas obras. Grosso modo, pode-se afirmar que todo naturalista é realista, mas nem todo realista é naturalista. Assim, o Naturalismo surge como um segmento do Realismo, uma vez que ambos fundamentam-se nos mesmos princípios científicos, filosóficos e artísticos.
O Naturalismo apresenta uma visão de mundo mais mecanicista, mais determinista, pois aceita o princípio segundo o qual somente as leis de ciência são válidas. Qualquer tipo de visão espiritualizada do mundo não tem, para o naturalista, grande valor.
Como decorrência disso, o homem é um animal condicionado por forças que determinam seu comportamento. Por isso, as personagens dos romances naturalistas têm um comportamento que resulta da liberação dos instintos, sob determinadas condições do meio ambiente. A hereditariedade física e psicológica das personagens conduz sua ação. A vida interior é reduzida a quase nada, uma vez que o escritor tenta utilizar métodos científicos de observação e análise.
Enquanto o drama das personagens realistas tem origem moral ou decorre de algum desequilíbrio social, as personagens naturalistas têm a origem dos seus dramas em heranças de ordem biológica ou psicológica que, num determinado momento, em determinado ambiente, acabam por vir à tona. Por isso, uma personagem naturalista é muito parecida com outra personagem naturalista, uma vez que todas estão submetidas à mesmas leis.
Para os naturalistas, a ação no romance é importante, pois o drama vivido pelas personagens se exterioriza através dessa ação. Para o realista, a ação é secundária, já que ele se preocupa mais em sugerir o mundo interior das personagens.
Quanto à temática, observa-se nos naturalistas uma tendência a retratar temas de patologia sexual ou social. Nota-se ainda que o escritor naturalista não vacila em trazer para a literatura os aspectos mais repulsivos da vida, além de tender a focalizar as camadas mais baizas da sociedade.
III. ) AUTORES E OBRAS é
No Brasil, o Realismo/Naturalismo teve início oficialmente em 1881, com a publicação de O mulato (Aluísio Azevedo) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis). O primeiro representa a tendência naturalista, e o segundo, a tendência realista.
É importante assinalar ainda, neste período (1881 – 1893), o surgimento de algumas obras que dão seqüência ao regionalismo. O romance regionalista de fins dos século XIX vai utilizar os princípios realistas/naturalistas, diferenciando-se, portanto, pela sua objetividade, dos romances do regionalismo romântico.
São obras importantes da tendência regionalista: Luzia-Homem, de Domingos Olímpio, e Dona Guidinha do poço, de Manuel Oliveira Paiva.
A poesia do período está reunida sob o nome geral de Parnasianismo, sendo que a produção em prosa permite a seguinte esquematização didática:
Tendência realista:
1. Machado de Assis
2. Raul Pompéia
Tendência naturalista
1. Aluísio Azevedo
2. Inglês de Sousa
3. Adolfo Caminha

A FORMAÇÃO DE PORTUGAL E A ORIGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA

A FORMAÇÃO DE PORTUGAL E A ORIGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA



Realização:
Paulo Henrique padua@urrn.br
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Thiago Alexandre: thyargo@serv2000.com.br
Michel Mayko
Kenio Ariano.
Colégio Menino Deus (Mossoro-RN)

















A FORMAÇÃO DE PORTUGAL E A ORIGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA

Derivou-se o nosso idioma, como língua romântica, do Latim vulgar.
É bastante difícil conhecer a língua dos povos habitantes na península Ibérica antes dos Romanos dela se apossarem.
Os Romanos ocuparam a Península Ibérica no séc. III antes de nossa Era. Contudo, ela só é incorporada ao Império no ano 197 antes de Cristo. Tal fato não foi pacifico. Houve rebeliões contra o jugo Romano.
O Latim, língua dos conquistadores, foi paulatinamente suplantado a dos povos pré-latinos. “Os turdetanos, e mormente os ribeirinhos do Bétis, adotaram de todos os costumes romanos, e até já nem se lembram da própria língua.” (Estrabão).
O Latim implantado na Península Ibérica não era o adotado por Cícero e outros escritores da época clássica (Latim clássico).
Era sim o denominado Latim Vulgar. O Latim Vulgar era de vocabulário reduzido, falado por aqueles que encaravam a vida pelo lado prático sem as preocupações de estilísticas do falar e do escrever.
O Latim Clássico foi conhecido também na Península Ibérica, principalmente nas escolas. Atestam tal verdade os naturais da Península : Quintiliano e Sêneca.
- O Português vem do Latim vulgar
Sabe-se que o latim era uma língua corrente de Roma. Roma, destinada pela sorte e valor de suas bases, conquista, através de seus soldados, regiões imensas. Com as conquistas vai o latim sendo levado a todos os rincões pelos soldados romanos, pelos colonos, pelos homens de negócios. As viagens favoreciam a difusão do latim.
Primeiramente o latim se expande por toda a Itália, depois pela Córsega e Sardenha, plenas províncias do oeste do domínio colonial, pela Gália, pela Espanha, pelo norte e nordeste da Récia, pelo leste da Dácia. O latim se difundiu acarretando falares diversos de conformidade com as regiões e povoados, surgindo daí as línguas românticas ou novilatinas.
Românticas porque tiveram a mesma origem: ao latim vulgar. Essas línguas são, na verdade, continuação do latim vulgar. Essas línguas românticas são: português, espanhol, catalão, provençal francês, italiano, rético, sardo e romeno.
No lado ocidental da Península Ibérica o latim sentiu certas influencias e apresenta características especiais que o distinguiam do “modus loquendi” de outras regiões onde se formavam e se desenvolviam as línguas românticas. Foi nesta região ocidental que se fixaram os suevos. Foram os povos bárbaros que invadiram a península, todos de origem germânica Sucederam-se nas invasões os vândalos, os suevos (fixaram-se no norte da península que mais tarde pertenceria a Portugal), os visigodos. Esses povos eram atrasados de cultura. Admitiram os costumes dos vencidos juntamente com a língua regional.
É normal entender a influencia desses povos bárbaros foi grande sobre o latim que aí se falava, nessa altura bastante modificado.
- Formação de Portugal
No século V, vários grupos bárbaros entraram na região ibérica, destruindo a organização política e administrativa dos romanos. Entretanto é interessante notar o domínio político não corresponde a um domínio cultural, os bárbaros sofreram um processo de romanização. Neste período formaram-se uma sociedade distinta em três níveis: clero, os ricos e políticos poderosos; a nobreza, proprietários e militares; e o povo.
No século VII essa situação sofre profundas mudanças devido a invasão muçulmana, estendendo –se assim o domínio árabe variando de regiões, e tinha sua maior concentração na região sul da Península, e o norte não conquistado servia de refúgio aos cristãos e lá organizaram a luta de reconquista, que visava a retomado do território tomado pelos árabes.
No que a Reconquista progredia a estrutura de poder e a organização territorial vão ganhando novos contornos; os reino do norte da Península (Leão, Castela, Aragão) estendem suas fronteiras para o sul, o reino de Leão passa a pertencer a o Condato Portucalense.
No fim do século XI, o norte da Península era governado por o rei Afonso VI, pretendendo expulsar todos os muçulmanos, vieram cavaleiros de todas as partes para lutar contra os mouros, dentre os quais dois nobres de borgonhas: Raimundo e seu primo Henrique. Afonso VI tinha duas filhas: Urraca e Teresa. O rei promoveu o casamento de Urraca e Raimundo e lhe deu como dote o governo de Galiza; pouco depois casou Teresa com Henrique e lhe deu o governo do Condato Portucalense. D. Henrique continua a luta contra os mouros e anexando os novos territórios ao seu condato, que vai ganhado os contornos do que hoje é Portugal.
Em 1128, Afonso Henriques – filho de Henrique e Teresa- proclamou a independência do Condato Portucalense, entrando em luta com as forças do reino de Leão. Quando em 1185 morre Afonso Henriques, os muçulmanos dominavam somente o sul de Portugal. Sucede a Afonso Henriques o rei D. Sancho, que continuava a lutar contra os mouros até sua expulsão total.. Dessa forma consolida-se a primeira dinastia portuguesa: a Dinastia de Borgonhas.

A SOCIEDADE

A formação de Portugal ocorreu num período de grande transição em que se percebe que o sistema feudal em crise e, em contrapartida, o crescimento de em áreas urbanas. Então este período se resume ao período de transição do feudalismo para as atividades econômicas, como os mercadores e os negociantes de dinheiro.

EVOLUÇÃO DA LINGUA PORTUGUESA

A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um elemento decisivo: o domínio romano, sem desprezar por completo a influência das diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim vulgar, o latim passou por diversificações, dando origem a dialetos que se denominava romanço ( do latim romanice que significava, falar a maneira dos romanos).
Com várias invasões barbaras no século V, e a queda do Império Romano no Ocidente, surgiram vários destes dialetos, e numa evolução constituíram-se as línguas modernas conhecidas como: neolatinas. Na Península Ibérica, várias línguas se formaram, entre elas o catalão, o castelhano, o galego-português, deste último resultou a língua portuguesa.
O galego-português, era uma língua limitada a todo Ocidente da Península, correspondendo aos territórios da Galiza e de Portugal, Cronologicamente limitado entre os séculos XII e XIV, coincidindo ocom o período da Reconquista. Na entrada do século XIV, percebe-se maior influência dos falares do sul, notadamente na região de Lisboa; aumentando assim as diferenças entre o galego e o português.
O galego apareceu durante o século XII e XV, aparecendo tanto em documentos oficiais da região de Galiza como em obras poéticas. Apartir do século XVI, com o domínio de Castela, introduz-se o castelhano como língua oficial, e o galego tem sua importância relegada a plano secundário.
Já o português, desde a consolidação da autonomia política e, mais tarde, com a dilatação do império luso, consagra-se como língua oficial. Da evolução da língua portuguesa destaca-se alguns períodos: fase proto-histórica, do Português arcaico e do Português moderno.

FASES HISTÓRICAS DO PORTUGUÊS

• Fase proto-histórica
Anterior ao século XII, com textos escritos em latim bárbaro (modalidade do latim usado apenas em documentos e por isso também chamado de latim tabaliônico ou dos tabeliões).
• Fase do português arcáico
Do século XII ao século XVI, corresponde dois períodos:
a) do século XII ao século XIV, com textos em galego-português;
b) do século XIV ao século XVI, com a separação do galego e o portugu6es.
• Fase do português moderno
A partir do século XVI, quando a língua portuguesa se uniformiza e adquiri as caracteristicas do português atual. A rica literatura renascente portuguesa, produzida por Camões, teve papel fundamental nesse processo. As primeiras gramáticas e dicionários da língua portuguesa também surgiram do século XVI.

GEOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

O atual quadro das regiões de língua portuguesa se deve as expansões territorial lusitana ocorrida no século XV a XVI. Assim que o língua portuguesa partiu do ocidente lusitano , entrou por todos os continentes: América (com o Brasil), África (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, República Democrática de São Tomé e Príncipe), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), e Oceania (Timor), além das ilhas atlânticas próximas da costa africana ( Açores e Madeira), que fazem parte do estado português.
Em alguns países o português é a língua oficial (República Democrática de São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde), e apesar de incorporações de vocábulos nativos de modificações de pronúncia, mantêm uma unidade com o português de Portugal.
Em outros locais, surgiram dialetos originários do português. E também regiões em que essa língua é falada apenas por uma peguena parte da população, como em Hong Kong e Sri Lanka.

Bibliografia:


NICOLA, José de, Língua, Literatura e Redação, 6ª ed., Editora Scipione,
1994

TERSARIOL, Alpheu, Biblioteca da língua portuguesa, 14ª ed., Editorial
Irradiação S.A.- São Paulo, 1970

Oração e Período

Oração e Período

Período
É a frase organizada em uma ou mais orações.

Pode ser:
Simples - quando constituído de uma só oração:
O casarão todo dormia.
Composto - quando formado de duas ou mais orações:
O senhor sabe, / são moças, / querem divertir-se.

O período termina sempre por uma pausa bem definida, que se marca na escrita com ponto, ponto de exclamação, ponto de interrogação, reticências e, algumas vezes, com dois pontos.


Termos essenciais da oração

São termos essenciais da oração o SUJEITO e o PREDICADO.

Sujeito - é o ser sobre o qual se faz uma declaração.
Predicado - é tudo aquilo que se diz do SUJEITO.

Assim, na oração:
O galo velho olhou de novo o céu.
temos:

SUJEITO: O galo velho.
PREDICADO: olhou de novo o céu.

1. Tipos de Sujeito:

1.1. Sujeito simples
Quando o sujeito tem apenas um núcleo, isto é, quando o verbo se refere a um só substantivo, ou a um só pronome, ou a um só numeral, ou a uma só palavra substantivada, ou a uma só oração substantiva, o SUJEITO é SIMPLES.

1.2. Sujeito composto
É COMPOSTO o sujeito que tem mais de um núcleo, ou seja, o sujeito constituído de:

a) mais de um substantivo:
Vozes, risos e palmas vieram lá de baixo.
b) mais de um pronome:
E assim galgamos ele e eu o rochedo.
c) mais de uma palavra ou expressão substantivada:
Falam por mim os abandonados de justiça, os simples de coração.
d) mais de um numeral:
Passavam devagar, em fila, seis ou sete.
e) mais de uma oração:
Era melhor esquecer o nó / e pensar numa cama igual à de seu Tomás da bolandeira.

1.3. Sujeito oculto (determinado)
É aquele que não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado:

a) pela desinência verbal:
Gosto de chuva, Pedro.
O sujeito de gosto, indicado pela desinência -o, é o pronome eu.
b) pela presença do sujeito em outra oração do mesmo período ou de período contíguo:
O funcionário riu com esforço, e despediu-se enojado. Entrou numa livraria.
O sujeito de riu e despediu-se é o funcionário, mencionado apenas na primeira oração, antes de riu. E é também o sujeito do verbo entrou, pertencente ao período seguinte.

1.4. Sujeito indeterminado
Quando o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se desconhecer quem executa a ação, ou por não haver interesse no seu conhecimento, diz-se que o SUJEITO é INDETERMINADO. Nestes casos, põe-se o verbo:

a) ou na 3ª pessoa do plural:
Anunciaram que você morreu.
b) ou na 3ª pessoa do singular, com o pronome se:
Não se falava dele no Ateneu.

1.5. Oração sem sujeito
Não deve ser confundido o SUJEITO INDETERMINADO, que existe, mas não se pode ou não se deseja identificar, com a inexistência do sujeito.
Em orações como as seguintes:
Chove. Anoitece. Faz frio.
Interessa-nos o processo verbal em si, pois não o atribuímos a nenhum ser. Diz-se, então, que o verbo é IMPESSOAL; e o SUJEITO, INEXISTENTE.
Principais casos de oração sem sujeito:

a) com verbos ou expressões que denotam fenômenos da natureza:
De noite choveu muito.
b) com o verbo haver na acepção de "existir":
Há flores, vidros, luz e sombra na casa das seis mulheres.
c) com os verbos haver, fazer e ir, quando indicam tempo decorrido:
Já estou aqui há dois dias.
d) com o verbo ser, na indicação de tempo em geral:
Era inverno na certa no alto sertão.

2. O predicado
O PREDICADO pode ser NOMINAL, VERBAL ou VERBO-NOMINAL.

2.1. Predicado nominal
O PREDICADO NOMINAL é formado por um VERBO DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO DO SUJEITO.

2.1.1. O verbo de ligação
Os VERBOS DE LIGAÇÃO servem para estabelecer a união entre duas palavras ou expressões de caráter nominal. Não trazem propriamente idéia nova ao sujeito; funcionam apenas como elo entre este e o seu predicativo.
Os verbos de ligação podem expressar:

a) estado permanente:
O fato é vulgaríssimo.
b) estado transitório:
Os caboclos estavam desconfiados.
c) mudança de estado:
Fiquei sensibilizadíssimo.
d) continuidade de estado:
O rapaz continua indeciso.
e) aparência de estado:
Os olhos pareciam uma posta de sangue.

2.1.2. O predicativo do sujeito
PREDICATIVO DO SUJEITO é o núcleo do PREDICADO NOMINAL, ou seja, aquilo que se declara do sujeito.
Pode ser representado por:

a) substantivo ou expressão substantivada:
Eras marido e filho?
Não, eu não era o 301.
b) adjetivo ou locução adjetiva:
Ele ficou pasmo, sem palavras.
c) pronome:
Nunca fora nada na vida...
d) numeral:
Duas são as representações elementares do agradável realizado. (R. POMPÉIA)
e) oração:
O pior é que parti os óculos.

2.2. Predicado verbal
O PREDICADO VERBAL tem como núcleo, isto é, como elemento principal da declaração que se faz do sujeito, um VERBO SIGNIFICATIVO.
VERBOS SIGNIFICATIVOS (ou nocionais) são aqueles que trazem uma idéia nova ao sujeito. Podem ser INTRANSITIVOS e TRANSITIVOS.

Observação:
Como há verbos que se empregam ora como de ligação, ora como significativos, convém atentar sempre no valor que apresentam em determinado texto para classificá-los com acerto. Comparem-se, por exemplo, as frases:
Estavas pensativa.
Andei muito feliz.
Fiquei assustado.
Continuamos alegres. Estavas no colégio.
Andei dez quilômetros.
Fiquei em casa.
Continuamos o passeio.
Nas primeiras, os verbos estar, andar, ficar e continuar são verbos de ligação; nas segundas, verbos significativos ou nocionais.

2.2.1. Verbos intransitivos
Cedo, a noite caía.
Verificamos que a ação está integralmente contida na forma verbal caía. Tal verbo é, pois, INTRANSITIVO, ou seja, NÃO TRANSITIVO: a ação não vai além do verbo.

2.2.2. Verbos transitivos
Nestas orações:
-- Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.
Vemos que as formas verbais tenho e abençoe exigem uma palavra para completar-lhes o significado. Como o processo verbal não está integralmente contido nelas, mas se transmite a outro elemento (o substantivo dinheiro e o pronome te), estes verbos se chamam TRANSITIVOS.
Os VERBOS TRANSITIVOS podem ser DIRETOS, INDIRETOS, ou DIRETOS e INDIRETOS ao mesmo tempo.

2.2.2.1. Verbos transitivos diretos
Nestas orações:
Abrirei o portão. Verei meu filho?
A ação expressa por abrirei e verei se transmite a outros elementos (o portão e meu filho) diretamente, ou seja, sem o auxílio de preposição. São, por isso, chamados TRANSITIVOS DIRETOS, e o termo da oração que lhes integra o sentido recebe o nome de OBJETO DIRETO.

2.2.2.2. Verbos transitivos indiretos
Nestes exemplos:
A população da Vila assistia ao embarque.
Um poeta, na noite morta, não necessita de sono.
A ação expressa por assistia e necessita transita para outros elementos da oração (o embarque e sono) indiretamente, isto é, por meio das preposições a e de. Tais verbos são, por conseguinte, TRANSITIVOS INDIRETOS. O termo da oração que completa o sentido do verbo TRANSITIVO INDIRETO denomina-se OBJETO INDIRETO.

2.2.2.3. Verbos transitivos diretos e indiretos
Nestes exemplos:
Capitu preferia tudo ao seminário.
Não lhe arranquei mais nada.
A ação expressa por preferia e arranquei transita para outros elementos da oração, a um tempo, direta e indiretamente. Por outras palavras: estes verbos requerem simultaneamente OBJETO DIRETO e OBJETO INDIRETO para completar-lhes o sentido.

2.3. Predicado verbo-nominal
Não apenas os verbos de ligação se constróem com predicativo do sujeito. Também verbos significativos podem ser empregados com ele.
Neste exemplo:
As fisionomias respiram aliviadas...
O verbo respirar é significativo, e aliviadas refere-se a fisionomias, de que é uma qualificação.
A este predicado misto, que possui dois núcleos significativos (um verbo e um predicativo), dá-se o nome de VERBO-NOMINAL.

2.3.1. Variabilidade de predicação verbal
A análise da transitividade verbal é feita de acordo com o texto e não isoladamente. O mesmo verbo pode estar empregado ora intransitivamente, ora transitivamente; ora com objeto direto, ora com objeto indireto. Comparem-se estes exemplos:
Perdoai sempre [= INTRANSITIVO].
Perdoai as ofensas [=TRANSITIVO DIRETO].
Perdoai aos inimigos [= TRANSITIVO INDIRETO].
Perdoai as ofensas aos inimigos [= TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO].

Termos integrantes da oração

1. Complemento nominal
O COMPLEMENTO NOMINAL vem, como dissemos, ligado por preposição ao substantivo, ao adjetivo ou ao advérbio cujo sentido integra ou limita.
Pode ser representado por:
a) substantivo (acompanhado ou não de seus modificadores):
A notícia do rebate falso espalhou-se depressa.
A amizade não é cortada de pressentimentos
b) pronome:
Seria nojo de mim?
c) numeral:
Foi ele o inventor dos e das dez mais.
d) palavra ou expressão substantivada:
E você tem medo daquela maluca?
e) oração:
Tenho certeza de que gosta de mim.

Observações:
1ª) O COMPLEMENTO NOMINAL pode estar integrando o sujeito, o predicativo, o objeto direto, o objeto indireto, o agente da passiva, o adjunto adverbial, o aposto e o vocativo.
2ª) Convém ter presente que o nome cujo sentido o COMPLEMENTO NOMINAL integra corresponde, geralmente, a um verbo transitivo de radical semelhante:
amor da pátria amar a pátria
ódio aos injustos odiar os injustos

2. Complemento verbal
São Complementos Verbais:

1) O Objeto Direto
2) O Objeto Indireto
3) O Predicativo do Objeto
4) O Agente da Passiva

2.1. Objeto direto
É o complemento de um verbo transitivo direto, ou seja, o complemento que normalmente vem ligado ao verbo sem preposição e indica o ser para o qual se dirige a ação verbal.
Pode ser representado por:

a) substantivo:
Passageiros e motoristas atiram moedas.
b) pronome (substantivo):
Os jornais nada publicaram.
c) numeral:
A moça da repartição ganha 450.
d) palavra substantivada:
Tem um quê de inexplicável.
e) oração:
Meu pai dizia que os amigos são para as ocasiões.

2.1.1. Objeto direto preposicionado
1. O OBJETO DIRETO costuma vir regido da preposição a:

a) com os verbos que exprimem sentimentos:
Não amo a ninguém, Pedro.
b) para evitar ambigüidade:
Mamãe bem sabe que ele o estima e respeita como a um pai!
c) quando vem antecipado, como no provérbio:
A homem pobre ninguém roube.

2. O OBJETO DIRETO é obrigatoriamente preposicionado quando expresso por:

a) pronome pessoal oblíquo tônico:
João, o povo, na noite imensa, festeja a ti.
b) pronome relativo quem:
A pessoa a quem amo está ausente.

2.1.2. Objeto direto pleonástico

1. Quando se quer chamar a atenção para o OBJETO DIRETO, costuma-se repeti-lo. É o que se chama OBJETO DIRETO PLEONÁSTICO. Nele uma das formas é sempre um pronome pessoal átono:
As minhas lições as tomava em casa um professor particular.

2. O OBJETO DIRETO PLEONÁSTICO pode também ser constituído de um pronome átono e de uma forma pronominal tônica preposicionada:
Um dia esquecera-a, a ela, D. Iris, no teatro e recolhera descuidado a Paissandu.

2.2. Objeto indireto
É o complemento de um verbo transitivo indireto, isto é, o complemento que se liga ao verbo por meio de preposição.
Pode ser representado por:

a) substantivo:
Falamos de vários assuntos inconfessáveis.
b) pronome (substantivo):
Também dialogava com elas.
c) numeral:
É preciso optar por um
Rosa optou por esta última.
d) palavra ou expressão substantivada:
Mas, -- quem daria dinheiro aos pobres..?
e) oração:
Esquecia-se de que não havia piano em casa.

Observação:
Não vem precedido de preposição o OBJETO INDIRETO representado pelos pronomes pessoais oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes, e pelo reflexivo se.
A vida por aquelas bandas me agradava mais.

2.2.1. Objeto indireto pleonástico
Com a finalidade de realçá-lo, costuma-se repetir o OBJETO INDIRETO. Neste caso, uma das formas é obrigatoriamente um pronome pessoal átono:
Um dia a nós nos coube participar da pantomima como desinteressados palhaços.

2.3. Predicativo do objeto
Tanto o OBJETO DIRETO como o INDIRETO podem ser modificados por PREDICATIVO. O PREDICATIVO DO OBJETO só aparece no predicado VERBO-NOMINAL. Podem ser expressos por:

a) substantivo:
Uns a nomeiam primavera. Eu lhe chamo estado de espírito.
Na 1ª oração, o substantivo primavera é o predicativo do objeto direto a; na 2ª, estado de espírito é predicativo do objeto indireto lhe.
b) adjetivo:
Achei-a bonita com as duas lágrimas escorrendo pelas faces.

2. Como o PREDICATIVO DO SUJEITO, o DO OBJETO pode vir antecedido de preposição:
Os jornais chamam-na de tradicional.
O vigário já escolheu o Antoninho Pio, filho do coronel, como candidato a Prefeito.

2.4. Agente da passiva
É o complemento que, na voz passiva com auxiliar, designa o ser que pratica a ação sofrida ou recebida pelo sujeito.
Este complemento verbal -- normalmente introduzido pela preposição por (ou per) e, algumas vezes, por de -- pode ser representado por:

a) substantivo ou palavra substantivada:
Antes de deixar a cidade foi visto por um amigo madrugador.
b) pronome:
Foi cercado por todos.
c) numeral:
Tudo quanto os leitores sabem de um e de outro foi ali exposto por ambos.
d) oração:
O elenco era formado por quem soubesse ao menos ler as "partes", velhos, moços, crianças.

2.4.1. Transformação de oração ativa em passiva
1. Quando uma oração contém um verbo constituído com objeto direto, ela pode assumir a forma passiva, mediante as seguintes transformações:

a) o objeto direto passa a ser sujeito;
b) o verbo passa à forma passiva analítica do mesmo tempo e modo;
c) o sujeito converte-se em agente da passiva.

Tomando-se como exemplo a seguinte oração da voz ativa:
A lua domina o mar.
Convertida na voz passiva, teríamos:
O mar é dominado pela lua.

2. Se numa oração da voz ativa o verbo estiver na 3ª pessoa do plural para indicar a indeterminação do sujeito, na transformação passiva cala-se o agente. Assim:

voz ativa voz passiva
Destruíram o cartaz. O cartaz foi destruído.
Destruíram os cartazes. Os cartazes foram destruídos.

Observações:
1ª ) Cumpre não esquecer que, na passagem de uma oração da voz ativa para a passiva, o agente e o paciente continuam os mesmos; apenas desempenham função sintática diferente.
2ª) Somente orações com objeto direto podem ser apassivadas.

VOZ ATIVA: Ouvimos gritos.
VOZ PASSIVA: Gritos foram ouvidos por nós.

3ª) Na voz ativa o termo que representa o agente é o SUJEITO do verbo; o que representa o paciente é o OBJETO DIRETO. Na voz passiva, o OBJETO (paciente) torna-se o SUJEITO do verbo.
4ª) Omite-se o agente da passiva quando este é ignorado, ou não interessa declará-lo. Tal omissão corresponde, na ativa, ao sujeito indeterminado. Na voz passiva pronominal, não se emprega o agente:
Ouviram-se gritos.

Termos acessórios da oração

Chamam-se ACESSÓRIOS os TERMOS que se juntam a um nome ou a um verbo para precisar-lhes o significado.
Embora tragam um dado novo à oração, os TERMOS ACESSÓRIOS não são indispensáveis ao entendimento do enunciado. Daí a sua denominação.
São TERMOS ACESSÓRIOS:

a) o ADJUNTO ADNOMINAL;
b) o ADJUNTO ADVERBIAL;
c) o APOSTO.

1. Adjunto adnominal
É o termo de valor adjetivo que serve para especificar ou delimitar o significado de um substantivo, qualquer que seja a função deste.
O ADJUNTO ADNOMINAL pode vir expresso por:

a) adjetivo:
A festa inaugural esteve animada.
b) locução adjetiva:
Tinha uma memória de prodígio.
c) artigo (definido ou indefinido):
Cessaram as vozes.
Às vezes, um galo canta.
d) pronome adjetivo:
Sofia nunca lhe contou este meu palpite?
e) numeral:
Os dois homens estavam fascinados.
f) oração:
O caso que vos citei é expressivo.

2. Adjunto adverbial
É o termo de valor adverbial que denota alguma circunstância do fato expresso pelo verbo, ou intensifica o sentido deste, de um adjetivo, ou de um advérbio.
O ADJUNTO ADVERBIAL pode vir representado por:

a) advérbio:
Eu jamais tinha ouvido coisa igual.
b) locução ou expressão adverbial:
De repente um carro começa a buzinar com força junto ao meu portão.
c) oração:
Como eu achasse muito breve, explicou-se.

2.1. Classificação dos adjuntos adverbiais
É difícil enumerar todos os tipos de ADJUNTOS ADVERBIAIS. Muitas vezes, só em face do texto se pode propor uma classificação exata. Não obstante, convém conhecer os seguintes:

a) DE CAUSA:
O homem, por desejo de nutrição e de amor, produziu a evolução histórica da humanidade.
b) DE COMPANHIA:
Vivi com Daniel perto de dois anos.
c) DE CONCESSÃO:
Apesar de cansado, não sentia sono.
d) DE DÚVIDA:
Talvez a gente combine alguma coisa para amanhã.
e) DE FIM:
Volto daqui a meia hora, para o enterro.
f) DE INSTRUMENTO:
A pobre morria com o palmo e meio de aço enterrado no coração.
g) DE INTENSIDADE:
Temos mudado muito.
h) DE LUGAR:
A lama respinga por toda a parte.
i) DE MATÉRIA:
Os quintais são massas escuras de verdura.
j) DE MEIO:
Voltamos de bote para a ponta do Caju.
l) DE MODO:
A orquestra atacava de rijo.
m) DE NEGAÇÃO:
Não quero ouvir mais cantar.
n) DE TEMPO:
Ontem Afonsina te escreveu.

3. Aposto
É o termo de caráter nominal que se junta a um substantivo, a um pronome, ou a um equivalente destes, a título de explicação ou de apreciação.

1. Entre o APOSTO e o termo a que ele se refere há em geral pausa, marcada na escrita por vírgula, dois pontos, travessão.
Ela, Açucena, estava em seus olhos.
Tudo aquilo para mim era uma delícia o gado, o leite de espuma morna, o frio das cinco horas da manhã, a figura alta e solene de meu avô.
Mas pode também não haver pausa entre o APOSTO e a palavra principal, quando esta é um termo genérico, especificado ou individualizado pelo APOSTO.
A cidade de Teresópolis. O mês de junho. O poeta Bilac.
Este APOSTO, chamado DE ESPECIFICAÇÃO, não deve ser confundido com certas construções formalmente semelhantes, como:
O clima de Teresópolis. As festas de junho.
em que de Teresópolis e de junho equivalem a adjetivos (= teresopolitano e juninas) e funcionam, portanto, como ADJUNTOS ADNOMINAIS.

2. O aposto pode também ser representado por uma oração:
De pronto, fixou-se uma solução: traria o relógio.

4. Vocativo
Examinando estes versos:
Deus te abençoe, minha filha.
Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Vemos que, neles, os termos minha filha e Ó lanchas não estão subordinados a nenhum outro termo da frase. Servem apenas para invocar, chamar ou nomear, com ênfase, uma pessoa.
A estes termos, de entoação exclamativa e isolados do resto da frase, dá-se o nome de VOCATIVO.


Colocação dos termos na oração

Ordem direta e ordem inversa
1. Em português predomina a ORDEM DIRETA, isto é, os termos da oração se dispõem preferentemente na seqüência:

sujeito + verbo + objeto direto + objeto indireto
ou
sujeito + verbo + predicativo

Essa preferência pela ORDEM DIRETA é mais sensível nas ORAÇÕES ENUNCIATIVAS ou DECLARATIVAS (afirmativas ou negativas). Assim:
Os vizinhos deram jantar aos órfãos nessa tarde.
Deodato ainda é menino.

2. Ao reconhecermos a predominância da ordem direta em português, não devemos concluir que as inversões repugnem ao nosso idioma. Pelo contrário, com muito mais facilidade do que outras línguas (do que o francês, por exemplo), ele nos permite alterar a ordem normal dos termos da oração. Há mesmo certas inversões que o uso consagrou, e se tornaram para nós uma exigência gramatical.
Assim:
Aqui outrora reboaram hinos.
Uma tarde entrou-me quarto a dentro um canarinho da terra.

O SIMBOLISMO NA EUROPA E NO BRASIL

O SIMBOLISMO NA EUROPA E NO BRASIL
No Brasil, o simbolismo começa em 1893 com a publicação de dois livros: "Missal" e "Broquéis"
(poesia) ambos de Cruz e Sousa. Estende-se até o ano de 1922, data da semana de Arte
Moderna. O início do simbolismo não pode,no entanto, ser identificado com o término da escola antecedente, o Realismo. Na realidade, no final do século XIX e início do século XX, três tendências caminhavam paralelas: o Realismo e suas manifestações; o Simbolismo, à margem da literatura acadêmica da época; e o pré-Modernismo, com o aparecimento de alguns autores como Euclides da Cunha e Lima Barreto. Só um movimento com a amplitude da Semana da Arte Moderna poderia neutralizar todas essas estéticas e traçar novos e definiti- vos rumos para a nossa literatura.
Na Europa, o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867) é considerado precursor do simbolismo por ter publicado, em 1857, As Flores do Mal, livro que já exibe traços do movimento. Mas é só em 1881 que a nova manifestação é rotulada. O escritor francês Paul Bourget (1852-1935) chama-a de decadentismo. O nome é substituído por simbolismo em manifesto publicado em 1886 no suplemento Figaro Littéraire.
O simbolismo manifesta-se na poesia. As obras buscam sugerir os objetos com símbolos, como ao usar a cruz para falar de sofrimento. Os versos exploram a sonoridade e a visualidade. Também rejeita as formas rígidas do parnasianismo, movimento de que é contemporâneo. Apesar de várias de suas bases coincidirem com as do romantismo, difere dele pela expressão da subjetividade sem sentimentalismo. Considera que só é real aquilo que está na consciência individual do poeta. A partir da noção de que a vida é misteriosa e inexplicável, os simbolistas a representam de modo vago, obscuro e até ininteligível.
Os principais expoentes na França são Paul Verlaine (1844-1896), autor de Outrora e Agora, Rimbaud (1854-1891), que escreve Iluminations, e Stéphane Mallarmé (1842-1898), autor de A Tarde de um Fauno, musicada por Claude Debussy (1862-1918). Em Portugal, o marco do simbolismo é a publicação em 1890 de Oaristos, de Eugênio de Castro (1869-1944), cujo prefácio apresenta os ideais do movimento. Outros representantes são Antônio Nobre (1867-1900), que escreve Só, e Camilo Pessanha (1867-1926), autor de Clepsidra.
O Momento Histórico
Durante o século XIX a Europa era, em quase sua totalidade, Imperialista. A Europa estava em pleno expansionismo em direção aos países da África, Ásia e América Latina. E em pouco tempo, 3/5 das terras do globo passaram para o domínio europeu. E, nesta mesma época, havia a política das alianças, liderada pela Inglaterra de um lado e pela Alemanha do outro. E em função disto, a Europa começou a investir no crescimento bélico de suas nações, estando eles às vésperas da primeira guerra mundial. Para essa crescente militarização, os historiadores dão o nome de "Paz Armada".
Esse era o contexto histórico onde nasceu o Simbolismo.
Características das Escola
- subjetividade
- religiosidade
- busca da essência humana : a alma
- ambigüidade, conotação, sentido figurado
- poesia hermética, de difícil entendimento
- busca da musicalidade - exploração da sonoridade das palavras
- "É preciso sentir, e não raciocinar"
- Sinestesias: cruzamento entre impressões sensoriais
- Aliterações: repetição de fonemas
- temática: sonho, mistério, morte
- a poesia atinge o leitor por inteiro: todos os sentidos são aguçados